O 3º Encontro das Universidades, que integra a programação do 37º Encontro Técnico e Fenasan 2026, debateu nesta quinta-feira, 22 de outubro, o tema “Saneamento Rural em Experiências Internacionais”. A mesa foi mediada por Ester Feche, professora e pesquisadora da Universidade de São Paulo (USP), e contou com a participação de quatro pesquisadores da área.
Dionisio Sant’ana Pereira, executivo de infraestrutura da Sabesp – Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo, apresentou o trabalho que vem sendo realizado pela empresa nas cidades do interior para a universalização do tratamento de esgoto, pretendida até 2029, quatro anos antes do prazo do Marco Legal de Saneamento Básico. A Sabesp atende atualmente a 371 municípios, entre áreas urbanas, rurais e informais. Pereira reforçou a importância de se conhecer a realidade local para oferecer a melhor solução: “Nas zonas rurais, as famílias arrumam outras soluções para o esgotamento, mas nós fazemos campanhas de adesão, lembrando da garantia de qualidade e manutenção contínuas”



Em seguida, Thalita Salgado Fagundes, pesquisadora da Faculdade de Saúde Pública da USP, contou sobre sua experiência internacional, analisando como outros países lidam com a oferta de água e o tratamento de esgoto, serviços básicos que representam um desafio em diversos países, desde o financiamento. Entre os maiores obstáculos, está abranger diferentes cenários socioeconômicos para suprir as necessidades essenciais. “A realidade de cada residência precisa ser analisada quando se fala em universalização”, afirmou.
Já Tomás de Azevedo Júlio, pesquisador no Centro de Estudos e Pesquisa Social (CEPES) da Universidade Zambeze, apresentou a realidade de Moçambique, seu país natal, onde 65% do território são compostos por área rural e concentram 34 milhões de habitantes, número que deve duplicar até 2050, segundo previsões de especialistas. De acordo com Júlio, o país tem sofrido com as mudanças climáticas, e o impacto chega primeiro às famílias em vulnerabilidade social. Devido ao baixo nível do território em relação ao mar, a alta da maré somada às chuvas aumenta a disseminação de doenças. “A corrupção também é uma questão séria, pois os recursos que existem não são destinados, o que aumenta a vulnerabilidade”, enfatizou.


O encerramento da mesa ficou por conta de Juliana Fontes Collaço, especialista da Cestesb – Companhia Ambiental do Estado de São Paulo, que mostrou o trabalho da Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística (Semil) do Governo do Estado de São Paulo. Ela evidenciou, a partir de dados do Plano Estadual de Saneamento Básico, que 3,5% da população do estado vivem em áreas rurais, aproximadamente 1,4 milhão de pessoas. Parte delas vive em comunidades isoladas, como aldeias indígenas e quilombolas. “Nas áreas rurais, nos deparamos com realidades diferentes no acesso à água e ao esgoto”, frisou.
Ela destacou ainda o programa “Água é Vida”, iniciado há 15 anos e que permanece ativo no estado, levando água e tratamento de esgoto a regiões isoladas como auxílio aos municípios. Segundo a pesquisadora, recentemente foram entregues fossas no Quilombo Bombas, o que só foi possível com a ajuda de helicópteros da Polícia Militar, em uma ação sem precedentes. “Eram apenas 23 famílias, mas nós vimos a disposição de todos em ajudar”, disse Collaço, que completou: “E, para mim, tem que ser assim mesmo: nem uma pessoa a menos”.

Encontro Técnico
A 37ª edição do Encontro Técnico AESabesp/ Fenasan 2026 aconteceu de 20 a 22 de outubro, no Expo Center Norte, em São Paulo. Com o tema “AESabesp 40 anos: conectando pessoas, conhecimento e inovação pelo saneamento”, o evento reuniu profissionais, especialistas, empresas, pesquisadores e representantes de instituições do setor para discutir os principais desafios e oportunidades do saneamento ambiental.





