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20 a 22 de outubro de 2026 | Pavilhões Verde e Vermelho - Expo Center Norte | São Paulo - SP

Feira: 13h às 20h | Congresso: 09h às 18h

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Inovação na fase sólida, controle biológico e medição orientam sessão de Trabalhos Técnicos no último dia da Fenasan 2026

Da aceleração biológica em efluentes industriais à eficiência energética na ETE Barueri, painel técnico conectou ciência e operação fabril, reforçando o papel da feira e do Encontro Técnico da AESabesp como fontes essenciais de aprendizado e inovação para as novas gerações
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A convergência entre biotecnologia aplicada, eficiência hidroenergética e modernização de grandes ativos de esgotamento sanitário conduziu os debates da Sessão de Trabalhos Técnicos 18, realizada no terceiro e último dia do 37º Encontro Técnico da AESabesp e da Fenasan 2026, dia 22 de outubro, no Expo Center Norte/SP. Integrando a programação oficial do evento, a mesa reuniu especialistas voltados a conectar a pesquisa científica de bancada aos desafios operacionais de concessionárias e indústrias em todo o país.

Sob a coordenação de Marcelo Carvalho, a sessão abrangeu pesquisas de ponta: a utilização do ATP como ferramenta operacional para diagnóstico rápido da biomassa em lodos ativados, apresentada por Rafaela Rangel; o estudo sobre a hibernação de reatores LGA, dinâmica de fósforo e retomada de processo, exposto por Rodrigo Alves dos Santos Pereira; a análise do nível econômico de perdas, comparando medidores volumétricos, velocimétricos e ultrassônicos, por Luiz Claudio Drumond; a tratabilidade de ésteres e uso da respirometria automatizada em efluentes industriais, detalhada por Gilson Fernandes; e as soluções intensivas para a fase sólida na ampliação da ETE Barueri, trazidas por Bruno Hespanhol.

Com 27 anos de atuação na Cetrel, no Polo Petroquímico de Camaçari (BA), o engenheiro e pesquisador Gilson Fernandes apresentou metodologia inovadora de respirometria aplicada a sistemas de lodos ativados. Desenvolvida em cooperação com a Universidade Federal de Campina Grande (UFCG), a ferramenta emprega software embarcado em controlador lógico programável (PLC) para acelerar a tomada de decisão no tratamento de compostos complexos.

“O trabalho parte da observação de microrganismos que consomem oxigênio para degradar poluentes. O que fizemos foi acelerar a interpretação do processo biológico a partir de uma plataforma eletrônica. É exatamente como um médico analisando um eletrocardiograma: conseguimos medir o pulso da bactéria e verificar em tempo real se determinada dosagem de efluente causou impacto em suas funções vitais por toxicidade ou se há ausência de substrato”, explicou.

O especialista ressaltou o papel integrador da AESabesp na conexão entre academia, plantas industriais e infraestrutura urbana. “A pesquisa ganha sentido quando se consolida em extensão útil para a sociedade. A indústria e as concessionárias públicas que tratam esgoto estão no mesmo barco diante dos desafios climáticos e ambientais. Dispor de uma ferramenta automatizada traz previsibilidade, conforto e segurança para o operador no chão de fábrica”, complementou.

A conexão prática entre a bancada científica e o dia a dia operacional também foi sublinhada pelo congressista Isac Ferraz, profissional com 39 anos de trajetória na Sabesp. Para ele, os trabalhos técnicos transformam rotinas consolidadas em novos horizontes de gestão e capacitação, sobretudo para quem está ingressando na área. “Nós, que atuamos no saneamento, muitas vezes não percebemos a dimensão do que executamos diariamente até assistir a essas apresentações. Os pesquisadores trazem uma perspectiva aprofundada que gera insights imediatos. A ETE Barueri, por exemplo, que acompanho há quase quatro décadas, foi abordada pelo Bruno Hespanhol como uma ‘jovem senhora’ que agora recebe tecnologias intensivas de recuperação na fase sólida”, relatou.

Ferraz enfatizou que costuma incentivar diretamente os novos auxiliares, técnicos e engenheiros recém-chegados à companhia a mergulharem no ambiente técnico e no pavilhão de exposições da Fenasan para compreenderem a magnitude do setor. “Na semana passada, conversei com alguns colaboradores novos que vieram me perguntar o que eu achava de visitarem o evento. Dei o maior incentivo e avisei que iriam se surpreender. Com mais de 480 expositores, eles conseguem enxergar o quão grande é a Sabesp e como fornecedores e parceiros estão todos conectados ao trabalho em prol do saneamento”, destacou.

O congressista chamou a atenção ainda para o alinhamento das pesquisas com a eficiência energética e a redução de custos operacionais. “Em estações elevatórias e de tratamento, a energia elétrica pode representar até 70% dos custos mensais. O projeto de Barueri mostra o aproveitamento do próprio biogás do lodo para reduzir esse consumo em cerca de 30%. Isso comprova que a engenharia, os expositores da feira e as inovações apresentadas no Encontro Técnico caminham juntos para fortalecer o saneamento paulista e nacional”, concluiu.

A pesquisadora Arielli Luisa Couto mostrou sua análise comparativa de viabilidade econômico-financeira entre métodos destrutivos (MD) e não destrutivos (MND) na implantação de redes de água. Ela apontou que, embora os MNDs sejam mais caros na implantação técnica, provam-se mais simples e baratos nas etapas seguintes, como na pavimentação, no escoamento e na movimentação do solo, além de terem menos impacto na rotina da região onde é realizada a obra. “Deve-se analisar cada caso, pois os MDs são mais recomendados em áreas não pavimentadas ou com profundidade menor do que 1,25 m”, afirmou Couto, que completou: “Mas o MND também tem muitas vantagens em perfurações mais profundas, além de proporcionar uma economia de 60 a 80% no custo final da obra”.

Já o pesquisador da Nova Era Ambiental Carlos Pinto falou sobre a aplicação da Lagoa Anaeróbia de Fluxo Ascendente como alternativa para o tratamento dos efluentes sanitários, agrícolas, industriais e de chorume. A aplicação começou há mais de 30 anos, pelo engenheiro Elso Vitoratto, que buscava soluções para a eliminação de dejetos de porcos. No trabalho apresentado, Pinto propôs como solução a aplicação de um reator UASB em lagoas anaeróbias tradicionais. Os resíduos eram depositados antes de uma camada de lodo e, com a decomposição natural, produziam biogás que era coletado por tubos, o que proporcionou redução de custos e diminuição significativa da Demanda Bioquímica de Oxigênio (DBO).

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