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20 a 22 de outubro de 2026 | Pavilhões Verde e Vermelho - Expo Center Norte | São Paulo - SP

Feira: 13h às 20h | Congresso: 09h às 18h

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Cooperação internacional, geopolítica e gestão de riscos pautam debate sobre carreiras globais no 3º Encontro das Universidades 

Especialistas da França, Quênia, Angola e Senegal analisaram impactos climáticos, combate a perdas de água, qualidade de aquíferos subterrâneos e a ampliação de competências globais para os profissionais do setor de saneamento
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A internacionalização das competências de engenharia, a governança de crises e a integração técnica com o continente africano e a Europa foram os eixos centrais da sessão temática “Carreiras internacionais no setor da água: conexão entre expertise, impacto e cooperação”, realizada nesta quarta-feira (21 de outubro), no Expo Center Norte/SP. Integrada à programação do Encontro das Universidades no 37º Encontro Técnico da AESabesp e Fenasan 2026, as apresentações evidenciaram que a universalização e a segurança hídrica exigem redes globais de conhecimento, capazes de responder a cenários de policrises e de acelerar projetos de economia circular.

A coordenadora do encontro, Ester Feche, pesquisadora da Universidades de São Paulo (USP), abriu a sessão informando a formalização de uma parceria estratégica firmada pela Associação dos Engenheiros da Sabesp (AESabesp) no primeiro dia do evento com a organização francesa La Goutte d’Eau. A iniciativa contempla intercâmbio de formação profissional, transferência de inovação tecnológica e projetos voltados ao saneamento rural. “O objetivo desse protocolo de cooperação internacional é proporcionar capacitação no setor de saneamento e recursos hídricos”, destacou.

A moderação do painel foi conduzida por Lylian Coelho, representante da Federação Mundial de Organizações de Engenharia (WFEO) e da Rede de Mulheres na Diplomacia da Água (WWDN). Ao assumir a tribuna, a moderadora qualificou a discussão como singular na história da Fenasan por inserir o setor em uma perspectiva geopolítica ampla, conectando as realidades da França, do Quênia, de Angola e do Senegal ao mercado profissional brasileiro e aos compromissos do acordo bilateral recém-firmado.

O primeiro expositor, Vincent Veauclin, professor e pesquisador da Sciences Po France, abordou a gestão de crises corporativas e a necessidade de resiliência dos operadores públicos e privados perante cenários de incerteza global. “A água é fundamental para tudo e pode impactar muitas empresas e sociedade. Portanto, o tema dos operadores é muito importante para promover a resiliência e a capacidade de tomar decisões”, disse.

Veauclin elencou três ordens de prioridades para a sobrevivência das operações de infraestrutura essencial: mapeamento prévio de cenários de estresse hídrico agudo. “Adaptação é o lema para os cenários mais críticos”, frisou. Atenção aos riscos geopolíticos globais, que produzem impactos diretos e indiretos de conflitos internacionais no encadeamento logístico de insumos químicos e eletromecânicos do saneamento. E o terceiro, as ameaças cibernéticas e guerras híbridas, apontando como o risco mais iminente para os sistemas automatizados de supervisão e distribuição de água.

Veauclin sustentou que as concessionárias precisam diagnosticar vulnerabilidades, estruturar planos realistas de continuidade de negócios e testá-los de modo preventivo. O especialista frisou ainda que a reputação e a transparência constituem capital indispensável na prestação de serviços públicos, sublinhando que as instituições não escolhem as ameaças externas, mas têm o dever de capacitar suas equipes para enfrentá-las.

A diretora e especialista em planejamento estratégico e serviços urbanos de água do Condado de Nairóbi (Quênia), Mary Muoria, expôs a trajetória de 35 anos de atuação profissional e analisou o modelo de gestão operacional queniano diante dos choques climáticos e do controle de água não faturada.

“Minha experiência em gestão de clientes ajudou a implementar várias estratégias e ferramentas nas empresas e entidades que participei, trazendo bons resultados. Por isso, precisamos nos expor aos conhecimentos em diferentes áreas do setor de saneamento. É importante ter uma participação ativa onde quer que estejamos, sejam em cursos, encontros, eventos e tirar proveito dessas redes de pares, fazer trocas e compartilhar experiências. E esse compartilhamento entre pares é também uma forma de se expor entre outras lideranças e aprender com elas, como estamos fazendo aqui, neste evento tão importante”, observou Muoria.

A especialista compartilhou os mecanismos de mitigação adotados em seu país para combater as perdas físicas e comerciais, destacando a digitalização dos serviços comerciais como ferramenta de inclusão e recuperação de receitas. “Estamos tentando trabalhar nessas questões para melhorar os números. Estamos usando muito a tecnologia para resolver esses problemas, como o uso dos dispositivos móveis para o pagamento da conta de água”, salientou. Ela reforçou que a relação com os usuários deve romper com a passividade burocrática: “Temos que tratar os clientes como verdadeiros parceiros”.

A moderadora Lylian Coelho endossou o raciocínio, lembrando que a cidadania e os usuários atendidos são a razão central de qualquer intervenção de engenharia sanitária.

Na sequência, o engenheiro Edson Baptista, da Huila’s Water and Sanitation PP (Angola), apresentou os resultados de pesquisas sobre a contaminação natural de mananciais subterrâneos por elementos radiológicos e seus reflexos diretos na epidemiologia da saúde pública, estabelecendo paralelos técnicos entre os cenários de Angola e do Brasil.

O pesquisador alertou para os riscos da exposição crônica a elementos como radônio e urânio presentes em aquíferos utilizados para abastecimento populacional. “Estamos expostos a esses dois normalmente, como através da água subterrânea que bebemos. Radônio é o maior causador de câncer de pulmão, após o maior índice que atinge os fumantes”, explicou Baptista.

O especialista indicou a necessidade de cooperação técnico-científica transnacional para padronizar análises laboratoriais e rotinas de controle de poços profundos: “Temos que nos capacitar para lidar com o aumento de câncer e os casos oncológicos vão aumentando conforme aumenta a expectativa de vida”, sinalizou.

Baptista pontuou que o monitoramento hidrogeológico deve subsidiar intervenções preventivas de tratamento. “Temos feito algumas pesquisas nacionais e internacionais no âmbito angolano. O objetivo é desenvolver um projeto piloto para servir de referência para nosso país e outros países também”, mencionou.

Em resposta aos dados apresentados, a moderadora Lylian Coelho sintetizou o desafio: “Temos que conhecer, interpretar quais são os perigos para saber como tratar”.

Encerrando as exposições, Abdoulaye Mallo Gueye, representante do L’Office National de l’Assainissement du Sénégal (ONAS), apresentou a matriz estratégica do Ministério do Saneamento do Senegal voltada à transição ecológica, adaptação climática e aproveitamento de subprodutos do tratamento de esgotos.

“Atuamos para minimizar esses impactos e aprender novas soluções. Fazemos o reúso do lodo, análise dos elos que poderão gerar gases de efeito estufa olhando a cadeia de saneamento, entre outros recursos”, destacou Gueye.

O gestor senegalês defendeu que as estações de tratamento passem a ser vistas como polos geradores de recursos econômicos, exemplificando a produção de biofertilizantes a partir do lodo estabilizado. “É uma forma de perenizar o uso dessas terras”, citou, mencionando ainda a digestão anaeróbia com aproveitamento do biogás/metano para matrizes locais de energia limpa.

Gueye assinalou a urgência de marcos regulatórios sólidos para habilitar o mercado de água de reúso e detalhou projetos de recuperação ambiental em curso no território senegalês: “Objetivo a longo prazo com a economia circular, por isso temos diversos exemplos de projetos, como um de reutilização de água, um de despoluição da baía de Hann, e o projeto de despoluição do norte da cidade de Dakar”, mencionou.

O representante do ONAS enfatizou que o rigor de governança e as parcerias com universidades são requisitos para conferir sustentabilidade aos projetos. 

Ao concluir os debates, Lylian Coelho reforçou que a cooperação técnica e o intercâmbio acadêmico celebrados na abertura do evento permitirão que o setor brasileiro absorva e compartilhe soluções avançadas de mitigação climática, biogás e economia circular em escala internacional.

O Encontro das Universidades integra a programação do 37º Encontro Técnico AESabesp/Fenasan 2026, promovido pela Associação dos Engenheiros da Sabesp (AESabesp), de 20 a 22 de outubro, no Expo Center Norte, em São Paulo. 

Mais informações: www.fenasan.com.br

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