A integração entre engenharia aplicada, responsabilidade socioambiental e soluções contratuais conduziu as discussões da Sessão de Trabalhos Técnicos 9, realizada na manhã desta quarta-feira (21 de outubo), no Expo Center Norte. O painel, que integra a grade técnica do Encontro Técnico e da Fenasan 2026, evidenciou um olhar descentralizado para o saneamento, trazendo para o foco do debate realidades operacionais de diferentes regiões do país.
A grade contemplou cinco abordagens complementares: a orientação domiciliar em comunidades com sistemas ecológicos de esgoto, detalhada por Stefanie Mattar Matiskei Ziemmermann; o Programa Chuá, voltado à conscientização de gerações futuras para a salvaguarda de mananciais em Minas Gerais, exposto por Tereza Cristina de Jesus Bernardes; o retrofitting em sistemas de água em aldeias indígenas sul-mato-grossenses, conduzido por Daniel Soriano Gonçalves; o uso de linguagem Python e análise multicritério para mapear prioridades na rede do Distrito Federal, por Felipe Albuquerque Carvalho; e a modelagem econômico-financeira de transição no setor, apresentada por Fernando Massardo.

Coordenadora da sessão, Silene Baptistelli destacou a pluralidade dos temas apresentados e o papel do evento em refletir a diversidade brasileira. “Tivemos trabalhos voltados ao abastecimento e ao esgotamento, mas o ponto alto foi essa abordagem sensível para a educação ambiental e para as aldeias indígenas, sem desmerecer a robustez técnica das análises com Python e os modelos de financiamento”, pontuou.
Para a coordenadora, o alcance nacional das pesquisas fortalece o congresso. “A sessão enriquece o encontro técnico porque traz a visão de outros estados, como Mato Grosso do Sul e Minas Gerais. O evento expandiu suas fronteiras para além de São Paulo e mostra realidades bastante contrastantes. No Sudeste, muitas vezes nos esquecemos da precariedade enfrentada por populações isoladas que ainda não contam com água na torneira. Dar visibilidade a essas soluções é indispensável para enfrentar os déficits históricos do país”, avaliou.

Entre os casos práticos, o engenheiro Daniel Soriano Gonçalves detalhou o projeto desenvolvido em 18 aldeias indígenas no Mato Grosso do Sul, viabilizado por meio de convênio entre a Itaipu Binacional e o governo estadual, com execução e suporte técnico da Sanesul. O trabalho teve como foco mapear a vulnerabilidade das estruturas existentes e implantar adequações de engenharia para assegurar água de qualidade.
“Nosso objetivo foi avaliar as condições de infraestrutura dessas comunidades indígenas e propor melhorias e modernizações nos sistemas locais”, explicou Gonçalves. O especialista expressou satisfação pela acolhida do tema no evento: “É muito gratificante trazer o saneamento para comunidades muitas vezes marginalizadas, que historicamente não contavam com o devido apoio técnico para a implantação de suas infraestruturas hídricas”, declarou.





