O Marco Legal do Saneamento Básico, sancionado em 2020, estabeleceu a meta de universalização do tratamento de água e esgoto no Brasil até 2033, o que lançou um grande desafio ao expor diferentes realidades e contextos sociais do território nacional. O assunto foi pauta da mesa-redonda “Universalização do Saneamento: Desafios, Estratégias e Tomada de Decisão”, realizada nesta quarta-feira, 21 de outubro, no 37º Encontro Técnico e Fenasan 2026.A mesa discutiu o papel dos dados e informações no planejamento e acompanhamento das metas de universalização dos serviços de saneamento. Os participantes falaram sobre desafios relacionados à produção, interpretação e utilização de informações para a tomada de decisão. Também destacaram experiências na gestão de dados, definição de prioridades de investimento e monitoramento de resultados.
O debate foi coordenado por Bruno Toniolo, especialista na área de saneamento e planejamento, e mediado por Marcel Sanches, diretor Corporativo de Engenharia da Sabesp – Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo.



Nelson Bevilacqua, gerente de Planejamento da Sabesp, apresentou o recente trabalho de diagnóstico e concepção feito pela empresa com o objetivo de realizar a universalização de 371 municípios até 2029, quatro anos antes da meta estabelecida pela legislação nacional. Bevilacqua conta que, em nove meses, a equipe identificou em torno de 200 mil áreas de expansão, locais que precisam de água, coleta e tratamento de esgoto. “Pela primeira vez, temos um Plano Plurianual de Investimento (PPI) totalmente georreferenciado, o que é um grande avanço”, destacou.
Dante Ragazzi Pauli, consultor em Saneamento e Recursos Hídricos, que atuou na etapa de georreferenciamento para a universalização do tratamento de esgoto da Sabesp, lembrou que foi convidado para analisar soluções com foco em áreas rurais e se deparou com uma realidade diferente das áreas urbanas. Ele elogiou o trabalho realizado pela equipe em um prazo de apenas nove meses. “Nunca tinha visto, em 38 anos, as equipes de planejamento, engenharia e operação trabalhando juntas”, afirmou. “Isso é um grande avanço e totalmente replicável”, completou o especialista.


Luciana Pena, diretora de engenharia da Aegea, contou um pouco sobre o trabalho da empresa, que opera desde 2010 na área da engenharia ambiental e hoje atua em mais de 890 municípios de 15 estados brasileiros. A especialista abordou a necessidade de se conhecer as regiões antes de apresentar soluções para as demandas, pois o entendimento do território e da dinâmica sociodemográfica são imprescindíveis, assim como o conhecimento de estiagem, enchentes e qualidade ambiental. Entre as obras destacadas pela pesquisadora, está o esgotamento sanitário do Complexo da Maré, no Rio de Janeiro (RJ), já em andamento.






