O papel estratégico da pesquisa acadêmica e o desenvolvimento de tecnologias nacionais no saneamento básico foram o foco da mesa “Nova Indústria Brasil (NIB) – da pesquisa à inovação” no 3º Encontro das Universidades, nesta quarta-feira, 21 de outubro. Sob coordenação e mediação de Elaine Rodrigues, pesquisadora do Instituto de Pesquisas Ambientais (IPA), órgão vinculado à Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística (Semil), os convidados debateram como transformar os desafios do setor em capacidade tecnológica própria e produtiva para o país.
Apresentando as diretrizes da NIB, Adriana Anunciatto Depieri, analista sênior em Ciência e Tecnologia no do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), pontuou que o futuro industrial não se define apenas pelo volume produtivo, mas pela capacidade de transformar conhecimento em soluções práticas para a sociedade. Ao citar os investimentos previstos acima de R$ 700 bilhões pelo Marco Legal para universalização até 2033, Adriana frisou que o setor atua como catalisador de inovação e transição ecológica. Ela defendeu a conexão do ecossistema para gerar autonomia nacional e reduzir a dependência externa: “Nenhuma organização inova sozinha. A inovação começa quando governo e empresas se unem a universidades e institutos de pesquisa para resolver os problemas reais da sociedade.”


Na ponta operacional, Débora Pierini Longo, diretora de Operações e Manutenção da Sabesp – Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo, destacou que a implantação do Centro de Operações Integradas (COI) representa, sobretudo, uma guinada cultural com foco total nas pessoas: “O maior desafio de implantação são as pessoas. O fator determinante é o engajamento humano, porque a Sabesp compreendeu que o COI não é apenas um projeto de tecnologia, mas sim um novo modelo de gestão.” Débora ressaltou que, embora a plataforma unificada monitore os sistemas de ponta a ponta para antecipar ocorrências com suporte de inteligência artificial (IA), a ferramenta depende diretamente da capacitação contínua e da validação técnica das equipes. Em total consonância, Adriana Depieri reforçou que “a inteligência artificial não é a solução para tudo, ela precisa ser liderada e conduzida por pessoas e para o bem das pessoas”.


Fechando a cadeia de desenvolvimento, Aldo José Gonçalves Rosa, diretor da C&P Engenharia e Automação, abordou o uso de gêmeos digitais (Digital Twins) e desmistificou o impacto da modernização: “A automação não existe para dispensar funcionários, mas para qualificá-los. Quando as pessoas se integram às ferramentas, o sucesso é muito maior.” Segundo Aldo, a simulação em tempo real antecipa riscos frente à constante variabilidade do saneamento, provando que o avanço tecnológico só se consolida quando guiado pela valorização do fator humano.
O evento reforçou a importância de as entidades atuarem como elo indispensável entre a ciência e as oportunidades reais de mercado.
O Encontro das Universidades integra a programação do 37º Encontro Técnico AESabesp/Fenasan 2026, promovido pela Associação dos Engenheiros da Sabesp (AESabesp), de 20 a 22 de outubro, no Expo Center Norte, em São Paulo.
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