Como a educação ambiental pode contribuir para a agenda da água e do saneamento? Esse é o tema do debate “Da Torneira ao Território: O papel da educação ambiental na agenda da água e do saneamento”, primeira mesa do 3 Encontro das Universidades, realizada nesta terça-feira, 20 de outubro, no primeiro dia do 37º Encontro Técnico e Fenasan 2026.
A mesa foi coordenada por Lara Carolina, diretora de Educação Ambiental da Secretaria do Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística (Semil) do Estado de São Paulo. O mediador foi Tiago Petri, biólogo e pesquisador, atualmente no Conselho Estadual de Recursos Hídricos, também do Semil.
A primeira fala foi de Kedyna Luanna, geógrafa, engenheira ambiental e sanitarista pela Universidade Federal de Alagoas (UFAL). A pesquisadora falou sobre o Ecoboat, iniciativa adotada na Lagoa Mandaú, em Alagoas, em que um catamarã recolhe resíduos sólidos descartados na água. A medida se tornou política pública da prefeitura de Maceió e ajuda na recuperação da água e do esgoto, além de encaminhar os resíduos para reciclagem. “No início, a população desacreditava do projeto. Hoje, eles esperam o dia e o horário para depositar os resíduos no catamarã”, contou Kedyna.

Marcelino Guedes, pesquisador da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária – Embrapa do Amapá, foi o segundo palestrante e falou sobre a adoção de fossas sépticas biodigestoras em residências de famílias em seu estado. A medida foi adotada após verificarem o costume de jogar dejetos na água do rio. A medida, além de ajudar no saneamento das residências, é mais barata do que a fossa de manilha e ainda fornece adubo, o que é um ganho para os agricultores de açaí na região. “Tranformar o resíduo em produto, o problema passa a ser solução. Temos que trabalhar junto com a comunidade, não apenas para ela”, afirmou.
Para encerrar, Marta Marcondes, bióloga e pesquisadora pela Universidade Federal de São Caetano do Sul (UFSC), contou uma série de ações de educação ambiental, realizadas a partir do Projeto Índice de Poluentes Hídricos (IPH), no qual é coordenadora. A equipe trabalha nas represas Billings, Guarapiranga e em rios da Grande São Paulo, identificando contaminações na água. “Não é só a água que está contaminada, significa que quem usa aquele esgoto está doente”. O projeto é atrelado a práticas de educação ambiental para pessoas de todas as idades e atendimentos médicos a populações carentes.










