A universalização do acesso aos serviços básicos no Brasil enfrenta sua face mais complexa fora das grandes cidades: a dispersão populacional e a viabilidade técnica e financeira de atender as comunidades isoladas. Esse panorama será o eixo central da Mesa 4, intitulada “Saneamento rural no Brasil: entre a dispersão populacional e a sustentabilidade”, que ocorre no dia 20 de outubro, das 14h às 15h30, na Sala Cantareira 5 do Expo Center Norte, em São Paulo. O debate integra a programação do 37º Encontro Técnico AESabesp/Fenasan 2026, o maior evento de saneamento ambiental das Américas, uma realização da Associação dos Engenheiros da Sabesp.
Esta edição traz como tema central “AESabesp 40 anos: conectando pessoas, conhecimento e inovação pelo saneamento”.
Seis anos após a promulgação da Lei Federal nº 14.026/2020, que atualizou o marco legal do setor, cerca de 30 milhões de brasileiros residentes em áreas rurais, ainda não contam com atendimento adequado de água tratada, coleta e tratamento de esgoto ou manejo adequado de resíduos. O gargalo se agrava pela insistência em aplicar soluções desenhadas para adensamentos urbanos em realidades rurais, onde grandes distâncias e baixa densidade tornam as redes convencionais inviáveis técnica e financeiramente.
Sob coordenação de Eliana Kitahara, articuladora do G9 Saneamento Rural, a Mesa 4 pretende quebrar paradigmas operacionais. “O saneamento rural representa um dos grandes desafios para a efetiva universalização. Com a atualização da legislação, a meta ocupa posição central na política nacional, exigindo avançar sobre territórios rurais/comunidades isoladas (quilombolas, ribeirinhas, originárias e assentamentos agrícolas)”, pontua a coordenadora. Segundo Eliana, o momento exige que o setor avance de uma visão predominantemente urbana para uma abordagem capaz de reconhecer as diferentes realidades territoriais brasileiras.
A sessão terá moderação de Monica Bicalho, coordenadora da Câmara Temática de Saneamento Rural da Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental (ABES), e contará com três visões institucionais complementares.
Na área de regulação e diretrizes, Alexandre Anderáos, superintendente adjunto de Regulação do Saneamento da Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA), debaterá a estruturação de normas de referência que incorporem as particularidades das áreas rurais. No cerne de titularidade e gestão local, Esmeraldo Pereira Santos, presidente da Associação Nacional dos Serviços Municipais de Saneamento (Assemae), abordará as ações que as prefeituras estão direcionando para atender as áreas rurais e suas limitações orçamentárias e operacionais, bem como mecanismos de cooperação e financiamento; e na indução jurídica e garantia de direitos. E Rodrigo Sanches Garcia, promotor de Justiça do Grupo de Atuação Especial de Defesa do Meio Ambiente (Gaema PCJ) do Ministério Público de São Paulo, analisará o papel indutor do órgão e a definição de responsabilidades entre entes públicos e concessionárias.

Para além das infraestruturas de saneamento, o debate aponta a sustentabilidade e perenidade da operação como fator determinante. “Tecnologia, por si só, não resolve o problema. É necessário garantir o engajamento e sensibilização, a capacitação dos usuários, o acompanhamento técnico para garantir a saúde financeira desses modelos descentralizados. É preciso implementar um modelo de gestão compartilhada do saneamento rural”, ressalta Eliana.
Ao chegar aos 40 anos da AESabesp nesta edição do evento, conforme Eliana Kitahara, a história da entidade confunde-se com a sua própria trajetória profissional e com sua história de vida. “Foi um privilégio atuar como Diretora Técnica na gestão 2001–2003 e, em seguida, conduzir a Presidência no mandato 2003–2005. Trata-se de ciclos de ricas vivências e desafios constantes, nos quais convivi de perto com profissionais notáveis, todos dedicados ao crescimento da engenharia sanitária e ao fortalecimento institucional da nossa entidade”, destaca.
Além disso, a coordenadora ressalta que tudo o que construíram resultou de um verdadeiro compromisso coletivo. “O êxito de cada iniciativa contou com o empenho direto de diretores, conselheiros, associados, equipe interna e entidades parceiras, todos mobilizados pela meta de transformar a AESabesp em uma referência técnica incontestável para o saneamento brasileiro”, conta.
Eliana ressalta que a prática profissional ensinou que o saneamento vai muito além das obras e projetos de engenharia. Ele se traduz diretamente em promoção da saúde, resgate da dignidade, qualidade de vida diária, sustentabilidade dos ecossistemas, das infraestruturas e justiça climática e social. “É com essa visão que permaneço apostando na inovação de soluções, na qualificação contínua e no trabalho colaborativo entre diferentes instituições para vencermos os gargalos da universalização dos serviços básicos, sobretudo nas áreas rurais e nas comunidades mais vulneráveis do país”, declara.
A edição de 2026 da Fenasan e do Encontro Técnico registra índice histórico de adesão, alcançando 100% de ocupação da área comercial dois meses antes da abertura oficial. O espaço reúne 479 expositores em 37 mil metros quadrados, divididos em dois pavilhões, com expectativa de atrair 40 mil visitantes entre 20 e 22 de outubro, no Expo Center Norte/SP.
Serviço:
Encontro Técnico AESabesp/Fenasan 2026
Mesa 8: “Saneamento rural no Brasil: entre a dispersão populacional e a sustentabilidade”
Data: 20 de outubro
Horário: Das 15h às 16h30
Local: Sala Cantareira 5 – Expo Center Norte – São Paulo
Programação completa e inscrições abertas neste link





