Como a recuperação das florestas e das bacias hidrográficas pode contribuir para enfrentar as mudanças climáticas? Essa é a proposta da Mesa 7 – “Todas as Águas em suas diversas formas e como o reflorestamento poderá diminuir a temperatura da Terra?”, que integra a programação do 37º Encontro Técnico AESabesp/Fenasan e reunirá especialistas para discutir soluções integradas para o saneamento e o meio ambiente.
Com o tema central “AESabesp 40 anos: conectando pessoas, conhecimento e inovação pelo saneamento”, o maior evento do setor nas Américas, uma realização da Associação dos Engenheiros da Sabesp (AESabesp), acontecerá de 20 a 22 de outubro, no Expo Center Norte, em São Paulo.
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A água, em suas diferentes formas, será um dos pontos centrais da discussão. Chuvas, rios, aquíferos, evaporação e rios voadores fazem parte de um sistema diretamente relacionado ao equilíbrio climático. Nesse contexto, o reflorestamento também será abordado por sua contribuição para a conservação da água e do solo e para a redução das temperaturas.
Sob coordenação da engenheira Sônia Nogueira, membro do Comitê de Mesas Redondas e Painéis do 37º Encontro Técnico AESabesp/Fenasan, a mesa será realizada no 21 de outubro, quarta-feira, das 11h às 12h30, na Sala 2 – Cantareira. Participarão da discussão Antonio Mauro Saraiva, professor sênior do Instituto de Estudos Avançados (IEA-USP) e professor titular aposentado da Escola Politécnica da USP; Everton de Oliveira, geólogo, Ph.D. em Hidrogeologia e sócio-fundador da HIDROPLAN; Samuel Barrêto, gerente do Programa de Água da The Nature Conservancy (TNC) Brasil; e Gilberto Tiepolo, revisor especialista do IPCC (Painel Intergovernamental sobre Mudança do Clima), fundador e diretor técnico da GT Nature & Climate.
Recuperar as funções da bacia hidrográfica

Para Sônia Nogueira, regenerar uma bacia hidrográfica significa recuperar suas funções naturais para garantir água limpa, equilíbrio natural e apoio às comunidades.
“Regenerar uma bacia hidrográfica é restaurar as funções vitais para garantir água limpa, equilíbrio natural e apoio a todas as comunidades”, explica.
Segundo ela, o solo tem uma função importante nesse processo. “O solo é como uma esponja, absorvendo águas de chuva e, consequentemente, alimentando os lençóis freáticos e os aquíferos subterrâneos.”
Sônia explica que, com essa função preservada, o fluxo de água para os rios se torna gradual, ajudando a evitar enchentes e secas extremas. O plantio de árvores nas margens dos rios também protege os cursos d’água contra a erosão e o assoreamento. “O cultivo de árvores junto com alimentos mantém o solo coberto e retém a umidade”, afirma.
Ela destaca ainda que o isolamento e o plantio no entorno das fontes garantem a produção contínua de água e contribuem para a recuperação de uma nascente específica.
Biodiversidade e gestão integrada
A regeneração de uma bacia hidrográfica também envolve a recuperação dos habitats naturais e a proteção da biodiversidade. Sônia destaca que esses ambientes restaurados abrigam animais e plantas locais. “Os habitats naturais restaurados abrigam os animais e plantas locais, incluindo a vegetação que retém sedimentos e poluentes antes que contaminem os rios”, explica.
Outro ponto destacado por ela é a conectividade entre os fragmentos de mata. “Os corredores ecológicos unem fragmentos de matas e garantem a circulação da vida de todas as espécies.”
Sônia também chama a atenção para a necessidade de uma gestão integrada. Segundo ela, o planejamento ocorre por meio dos comitês de bacia, que reúnem governo, empresas e cidadãos.
A bacia hidrográfica também serve como base territorial para a aplicação de políticas públicas e leis de proteção ambiental. O uso dos recursos hídricos é fiscalizado para evitar conflitos entre setores, como agricultura e abastecimento urbano.
Agroflorestas e redução do aquecimento global
Ao falar sobre a relação entre reflorestamento e clima, Sônia destaca o papel das agroflorestas na retenção de gás carbônico da atmosfera e no armazenamento de carbono no solo e nas árvores. “A implantação das agroflorestas ajuda a diminuir o aquecimento global porque retém gás carbônico da atmosfera e armazena o carbono no solo e nas árvores”, explica.
Ela lembra que, por meio da fotossíntese, as plantas utilizam o carbono para crescer. As raízes e as folhas que caem se transformam em matéria orgânica, armazenando carbono na terra por muito tempo.
Além disso, as agroflorestas permitem produzir alimentos na mesma área onde há árvores, gerando renda sustentável. “Esse sistema gera grãos, frutos e madeira, portanto os produtores vivem na terra sem destruir o meio ambiente e não precisam derrubar novas matas para plantar”, afirma.
Sônia destaca ainda que as diferentes camadas de plantas ajudam a diminuir a temperatura do local. “No mesmo canteiro, o agricultor planta espécies agrícolas, frutíferas, arbóreas ou florestais”, explica. Essas espécies podem ter diferentes finalidades, como a produção de madeira, a coleta de sementes e a geração de biomassa, além de contribuírem para a ciclagem de nutrientes.
Entre os exemplos citados pela engenheira está a bananeira, espécie que, segundo ela, é-chave nas agroflorestas e está presente de Norte a Sul do Brasil.
Serviço
O quê: 37º Encontro Técnico AESabesp e Fenasan 2026 – Feira Nacional de Saneamento e Meio Ambiente
Quando: de 20 a 22 de outubro de 2026
Mesa 6: “Todas as Águas em suas diversas formas e como o reflorestamento poderá diminuir a temperatura da Terra?”
Data: 21 de outubro, quarta-feira, das 11h às 12h30
Local: Sala 2 – Cantareira, Expo Center Norte – Pavilhões Verde e Vermelho, São Paulo
Visitação à feira: gratuita
Programação, credenciamento e inscrições (clique aqui).





