O compartilhamento de metodologias aplicadas, o aprimoramento da governança de recursos hídricos e a busca por resiliência climática deram o tom da Sessão de Trabalhos Técnicos 8, realizada na manhã desta quarta-feira (21 de outubro), no Expo Center Norte, em São Paulo. Integrando a programação oficial do 37º Encontro Técnico e da Fenasan 2026, a mesa reuniu especialistas e pesquisadores dedicados a transformar dados científicos em instrumentos práticos de tomada de decisão nas concessionárias e órgãos gestores.
A rodada de apresentações abrangeu iniciativas de alcance estratégico para o setor: o programa Pró-Mananciais, focado na segurança hídrica e conservação hidroambiental, detalhado por Luciana Campos Luciano; o estudo de Matheus Renato Gomes sobre a modelagem da qualidade da água do Rio Jundiaí a partir do modelo matemático Streeter-Phelps; o diagnóstico do monitoramento dos Planos de Recursos Hídricos no Espírito Santo, conduzido por Monica Amorim Gonçalves; e a análise das ações intermunicipais de revitalização do Ribeirão Quilombo, nas Bacias PCJ, apresentada por Flávio Forti Stenico.
Coordenador da sessão, o engenheiro Eduardo Conselheiro ressaltou o papel histórico da feira como polo integrador da engenharia nacional. “A Fenasan sempre foi um hub de conhecimento do setor de saneamento, reunindo engenheiros e técnicos de todo o país para evoluir processos, dinâmicas operacionais e tecnologias. Nosso propósito ao trazer os trabalhos técnicos é reunir o que há de mais avançado e colocar esse conhecimento ao alcance de todos”, afirmou. Conselheiro destacou ainda o compromisso da entidade com a produção científica: “É uma honra participar desse ecossistema de fomento ao desenvolvimento técnico e ver o impacto consistente que a AESabesp gera no saneamento nacional”.

Entre os cases apresentados, a experiência nas Bacias PCJ evidenciou o impacto da articulação intermunicipal em áreas sob estresse hídrico crônico. Conduzido pelo Consórcio PCJ, o plano envolve Campinas, Paulínia, Sumaré, Nova Odessa, Hortolândia e Americana, beneficiando cerca de dois milhões de habitantes na bacia do Ribeirão Quilombo até o deságue no Rio Piracicaba.
“O projeto está diretamente alinhado às premissas do evento, com foco em resiliência urbana e saneamento ambiental”, explicou Stenico ao detalhar o balanço de oito anos de coordenação da iniciativa. “Conquistamos avanços decisivos, como a implantação de modernas ETEs, recuperação de matas ciliares e nascentes em APPs e reservatórios de macrodrenagem voltados ao controle de cheias.”
Para Stenico, compartilhar os resultados no encontro consolida o papel transformador da cooperação regional. “Como engenheiro civil, sinto-me extremamente lisonjeado e feliz em participar de um congresso de relevância nacional como o da AESabesp, apresentando a atuação do Consórcio PCJ em políticas públicas e saneamento ambiental”, concluiu.





